A Toscana é um território de tradições profundas, mas também de mentes inquietas. No coração da região do Chianti, a Petrognano encontrou na enóloga Monica Rossetti a sensibilidade necessária para traduzir a icónica uva Sangiovese sob duas perspetivas fascinantes. Longe de se prender a uma única receita, Monica assina em Petrognano duas filosofias de vinificação distintas: uma que olha para o passado ancestral e outra que celebra a máxima expressão do tempo e da madeira.

O resultado? Vinhos que nascem do mesmo solo, sob o mesmo sol, mas que contam histórias completamente diferentes na taça.

A Conexão com a Terra e o Resgate Ancestral

Para compreender o trabalho de Monica Rossetti em Petrognano, é, sobretudo, preciso olhar para a busca pela pureza. Numa das vertentes da sua filosofia, a enóloga elimina os intermediários entre a vinha e o vinho. Aqui, o objetivo é deixar que a Sangiovese se expresse sem a interferência dos aromas conferidos pelas barricas de carvalho tradicionais. É uma abordagem minimalista, que respeita o ecossistema e foca na energia vibrante da fruta e na textura crua que o solo toscano oferece.

A Vinificação em Ânforas de Argila: O Caminho do ORCI

É nesta busca pela ancestralidade que nasce o ORCI. A filosofia por trás deste vinho baseia-se na vinificação e estágio em ânforas de terracota (os chamados orci em italiano). A argila, atua como um material mágico: permite uma micro-oxigenação constante do vinho — semelhante à da madeira —, mas sem transferir qualquer sabor ou aroma tostado. O ORCI é a Sangiovese nua e crua, onde a porosidade da terra molda uma textura única, focada na mineralidade e na frescor cortante da fruta silvestre.

A Elegância do Tempo e do Carvalho: A Filosofia do MEME Riserva

No extremo oposto deste diálogo enológico está o MEME Riserva. Aqui, sobretudo, a filosofia abraça a paciência, a estrutura e a tradição clássica dos grandes vinhos de guarda da Toscana. Monica Rossetti utiliza o estágio prolongado em barricas de madeira para domar a acidez natural e os taninos firmes da Sangiovese. Não se trata de mascarar a fruta, mas de lhe dar uma moldura de complexidade. O tempo e o carvalho transformam a energia jovem da uva numa elegância aristocrática, densa e profunda.

Dois Caminhos, o Mesmo Solo: A Riqueza da Diversidade

O verdadeiro legado de Monica Rossetti em Petrognano não é escolher qual o melhor método, mas provar que o terroir da Toscana é multifacetado. Ao colocar lado a lado o ORCI (moldado pela argila) e o MEME Riserva (lapidado pelo carvalho e pelo tempo), somos convidados a uma aula viva de enologia. Uma prova de que a intervenção humana, quando guiada pelo respeito à natureza, não apaga a identidade da uva, mas expande os seus horizontes.

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